É um velho problema, com novos contornos; os participantes numa feira passam pelos stands e imediatamente formam uma impressão de que o staff não está muito interessado em conhecer novas pessoas. Esta impressão decorre da observação de que estes representantes de uma empresa estão mais ocupados a falar com os colegas, a tratar do trabalho do escritório ou a comer o almoço.
Agora que estamos na era da tecnologia há novas distracções: smartphones, tablets e portáteis e que podem deixar os visitantes com uma impressão desfavorável, a última que quer criar com os seus potenciais clientes.
Imagine que entra numa loja e o vendedor está atrás da caixa registadora a mandar sms aos amigos ou a ler os updates do Facebook. A não ser que precise mesmo de um produto desta loja, a sua reacção vai ser dar meia volta e ir embora. A situação não é diferente numa feira.
O problema intensificou-se hoje em dia porque mais ou menos um terço da população mundial está conectada e mandar mensagens ou emails tornou-se um hábito. Como assegurar que o seu staff pare de mandar mensagens, de conversar, de ler, estar ao computador, e concentre todas as suas energias na atenção dada aos visitantes.
No passado, muitos expositores prepararam listas de conduta para o stand, que incluíam regras sobre comer, ler, sentar, abordagem ao cliente, e profissionalismo. Agora é altura de criar um código de conduta focado no uso da tecnologia numa feira. Vai levar algum tempo a criar uma lista completa, mas aqui vai um esboço:
Não fazer no stand:
Usar telemóveis. A tendência, especialmente nos tempos mortos, é estar em contacto com o escritório. Mas nunca se sabe quando vai aparecer o próximo cliente e vê-lo ao telefone vai, provavelmente, levá-lo a passar e não parar.
Usar o stand como uma espécie de escritório e estar a trabalhar no computador ou no tablet.
Não permitir às pessoas que estão no escritório de interromper o staff do stand com telefonemas e mensagens.
O que fazer:
Coloque o seu telemóvel no silêncio durante o horário de exposição. Mas há alturas em que o smartphone pode ser uma vantagem. Pode usá-lo para confirmar reuniões no stand, para contactar os seus clientes a lembrar-lhes da feira e de como está a correr bem, e também para situações em que necessite de ajuda por parte do escritório.
Escolher uma pessoa para actualizar o Facebook a partir do stand para manter viva a rede social. Ignorar o poder destes meios numa feira é tolo. Muitos certames já incorporam o twitter, Facebbok, LinkedIn e outros sites para promover o projecto. Expositores inteligentes abraçam as redes sociais e usam-nas em seu benefício. No entanto é necessário que seja explícito quem actualiza as redes.
Use o computador e os tablets para fazer apresentações aos visitantes, mostrar estatísticas ou estudos de caso.
Por Barry Siskind, consultor de feiras e eventos
Fiquei surpreendido com esta organização do LACTE (Latin American Corporate Travel Experience) 2012, em São Paulo, no hotel Hyatt, nos passados dias 5 a 7 de Fevereiro.

Com cerca de 650 profissionais da indústria dos eventos e viagens corporativas, e um programa de networking bem pensado, este evento surpreendeu-me pelos conteúdos das sessões educativas. É um dado quase adquirido que nos eventos organizados no Brasil o networking vai ser bom, mas o que muitas vezes falta é um conteúdo educacional de excelência, alinhado às tendências internacionais.
Temas de que até há pouco tempo não se falava, em eventos para trade no Brasil, estão agora no topo da agenda, como a gestão de risco, política de compras, ROI, etc.

Houve muito cuidado em seleccionar os oradores por parte da organização da ABGEV (Associação Brasileira de Gestores de Eventos e Viagens Corporativas) neste LACTE. Um sucesso!
Parabéns à organização pela experiência gratificante.
Por Diogo Assis, director da events by tlc
Todos os que trabalham no mundo do Turismo experimentaram o gosto de visitar e trabalhar em feiras da especialidade. Algumas foram importantes balcões de vendas, outras porque a imagem da empresa ou da instituição assim o obrigava, outras ainda porque era obrigatório lá estar para marcar a presença tribal do universo do lazer. Nem todas as feiras foram agradáveis, nem todas foram comercialmente produtivas e nem todas deram os frutos que à partida prometiam.
Nos antigos anos 80, do século XX, as feiras de turismo começaram a impor-se como paradigma essencial à multiplicação de contactos com parceiros de negócios e com a possibilidade de chegar massivamente a grandes públicos. O mundo das feiras de turismo cresceu como um negócio em si mesmo, alimentando-se dos seus expositores que constantemente eram aliciados com promessas de mais e melhor e com estatísticas de crescimentos permanentes ao nível de visitantes, vendas conseguidas e negócios estabelecidas. Os organizadores dos certames sobrevalorizaram de tal forma as feiras que atingiram um poder quase absoluto, obrigando instituições e empresas a um contínuo esforço financeiro com resultados continuamente decrescentes.
O aparecimento de novos meios de comunicação entre profissionais de turismo e parceiros de negócio, bem como a implantação de meios automáticos e publicitários de larga escala para clientes finais, baseados em tecnologias e conteúdos nas plataformas de internet, trouxeram novos tempos ao negócio das feiras de turismo.
Coloca-se então a questão se continuam a ser necessárias as feiras de turismo. Parece-nos obviamente que sim, mas com alterações profundas no seu figurino. Deverão tornar-se motivos e plataformas para encontros com potenciais compradores através de agendamentos combinados com operadores convidados; deverão privilegiar as promoções das grandes marcas; deverão criar espaços de encontros informais permanentes com forte aposta nos conhecimentos profissionais; deverão ser ponto obrigatório de reunião com o máximo de parceiros no menor período de tempo; deverão promover o destino onde se realizam; deverão servir acima de tudo para potenciar e privilegiar as relações humanas, tanto ao nível do negócio como da amizade e da confiança pessoal, factores essenciais à felicidade e boa relação nas áreas profissionais.
Por mais conteúdos que se disponibilizem nas plataformas virtuais, por maiores que sejam as campanhas publicitárias na web e nas redes sociais, por mais aplicações que existam para plataformas móveis ou por mais evoluídos que sejam os motores de reservas, nunca haverá poder maior do que uma reunião “olhos nos olhos”, um aperto de mão e um sorriso. E isto só conseguiremos enquanto tivermos encontros pessoais. As feiras de turismo são os locais certos para esta magia acontecer.
Por José Pedro Calheiros, director da SAL - Sistemas de Ar Livre
No final do ano desafiámos alguns profissionais do sector dos eventos a escolherem um objecto que, no seu entender, simbolizasse 2012. Cada um dos nossos convidados foi depois fotografado com esse objecto, e escreveu um texto curto onde sustentou a escolha. Reunimos neste espaço todos os textos que fizeram parte deste trabalho.
Um objecto para 2012, escolhido por Isabel Amaral
Um objecto para 2012, escolhido por Carlos Coelho
Um objecto para 2012, escolhido por Linda Pereira
Um objecto para 2012, escolhido por Pedro Rocha dos Santos
Um objecto para 2012, escolhido por Pedro Santos Costa
Um objecto para 2012, escolhido por Maria Mestre
Um objecto para 2012, escolhido por Pedro Cardoso
Um objecto para 2012, escolhido por Hélio Loureiro
Um objecto para 2012, escolhido por Pedro Gândara
Se pretender que o público leia toda a informação sobre o seu produto e ao mesmo tempo quiser reduzir a quantidade de papel que leva para as feiras, os códigos QR podem ser uma resposta à medida. Estes códigos, lidos através de aplicações de Smartphone ou tablet, permitem aceder rapidamente a toda a informação sobre o produto. Segundo a instituição Gartner Research, sedeada nos Estados Unidos, em 2015 haverá mais de mil milhões de utilizadores de Smartphone e tablet.
Com um aspecto semelhante a um código de barras, os códigos QR distinguem-se por serem bidimensionais, o que significa que podem alojar uma maior quantidade de informação. Qualquer empresa pode facilmente gerar códigos QR únicos. Gerá-los é, na maior parte dos casos, gratuito. Basta aceder a sites de geradores de código, como por exemplo o Kaywa.com, Qrstuff.com, 2d-code.co.uk, ou através do Google QR generator. Depois disso a tarefa avizinha-se fácil. Mas antes deve pensar nos conteúdos que quer colocar. Pretende que os visitantes sejam redireccionados para a página de Internet da empresa? Quer colocar alguma promoção ou informação específica?
Encontrado o conteúdo mais adequado, basta gerar o código. Alguns dos programas permitem alterar a cor e o formato. E depois em quantos mais locais o colocar, melhor.
Durante a feira, em vez de distribuir informação, sugira ao visitante que faça um scan do seu QR. Há quem diga que este sistema de código vai ser rapidamente ultrapassado, mas mesmo com a existência de outras soluções, creio que esta vai continuar a ser importante. Até porque é uma tecnologia pouco ou nada dispendiosa e acrescenta valor à sua presença em feira.
Barry Siskind, especialista em marketing de feiras
Concluímos hoje, com um depoimento mais, o conjunto de artigos em que afinal 10+1 profissionais, de alguma forma ligados ao sector dos eventos, foram escolhendo um objecto que, no seu entender, simboliza 2012. Cada um dos nossos convidados foi depois fotografado com esse objecto, e escreveu um texto curto onde sustenta a escolha. Fechamos este espaço com Ana Barbosa, nova presidente da APECATE.
A lição dos sobreiros
Os sobreiros inspiram-me 2012. Fortes, sólidos, resistentes, dão-nos a lição do momento certo para cada coisa, do ritmo da regeneração, da riqueza escondida dos nossos recursos. Relembram-nos, ano após ano, a dimensão criadora do tempo que insistimos em não ter. Dizem-nos como podemos ser imbatíveis quando sabemos mergulhar as raízes na terra, expor o tronco despido à intempérie e atirar o pensamento, livre, para além dos nossos círculos pequeninos. Ensinam-nos que o “olhai os lírios do campo” não é para nós e que, em vez de ficarmos à espera que alguém nos faça ver luzes no fundo do túnel, temos que andar para a frente, inventando a nossa própria luz.
E quando os vemos, sem plantações em linha, sabiamente dispersos num espaço que só é uno porque eles lá estão, cada um no seu exacto lugar, ainda nos fazem acreditar que é agora o momento de percebermos, de uma vez por todas, que aqui, neste heterogéneo planeta azul, temos um desígnio comum a cumprir.
É um facto. São os sobreiros as minhas árvores para 2012.
Ana Barbosa

Este texto faz parte de um conjunto de artigos em que dez profissionais, de alguma forma ligados ao sector dos eventos, escolhem um objecto que, no seu entender, simboliza 2012. Cada um dos nossos convidados foi depois fotografado com esse objecto, e escreveu um texto curto onde sustenta a escolha. Até ao final do ano vamos publicar um destes artigos por dia. Hoje é a vez de João Paulo Oliveira, da Leading.
O ano da lâmpada…
…e do Génio. De facto, assim será, numa clara analogia à genialidade de que vamos precisar em 2012. Não apenas a genialidade criativa que nos empurra para novos horizontes mas, sobretudo, a genialidade daqueles que conseguem fazer muito mais com bastante menos.
Em 2012 não podemos perder tempo a procurar o Génio. Temos de encarnar o Génio. Sermos nós a concretizar alguns desejos. Estou certo de que não voltarão a ser desejos do tempo passado. Vão ser, com toda a certeza, desejos do tempo futuro:
. Capacidade para investir a criatividade em produtos e serviços que façam sentido, que cumpram uma função;
. Iluminação para gastar tudo o que seja preciso, mas apenas desde que seja preciso;
. Brilho, muito brilho, para liderar, motivar e realizar….pessoas e objectivos.
Em 2012 é preciso acreditar que a vida vai ser como a lâmpada….maravilhosa.
João Paulo Oliveira

Este texto faz parte de um conjunto de artigos em que dez profissionais, de alguma forma ligados ao sector dos eventos, escolhem um objecto que, no seu entender, simboliza 2012. Cada um dos nossos convidados foi depois fotografado com esse objecto, e escreveu um texto curto onde sustenta a escolha. Até ao final do ano vamos publicar um destes artigos por dia. Hoje é a vez de Pedro Gândara, Corporate Marketing Manager da Samsung Portugal.
“The Family Meal”
No momento em que me lançaram o desafio de escolher um objecto para símbolo de 2012, olhei para a minha mão direita e elegi rapidamente aquele que tinha acabado de comprar.
Mais do que um livro de culinária, “The Family Meal” da Phaidon é um livro sobre refeições – enquanto soluções para satisfazer um público diversificado e exigente –, planeamento, técnica, ingredientes de qualidade, revisões tácticas das várias receitas para conciliar a disponibilidade dos referidos ingredientes. Mas é também um livro sobre criatividade, não fosse o seu subtítulo “Home cooking with Ferran Adrià” e não fosse esta a mais-valia que tornou o elBulli o melhor restaurante do mundo.
Que símbolo melhor para o próximo ano? Um manual que promove, à sua maneira, todos os ingredientes necessários para superar as adversidades que se esperam em 2012.
Pedro Gândara

Este texto faz parte de um conjunto de artigos em que dez profissionais, de alguma forma ligados ao sector dos eventos, escolhem um objecto que, no seu entender, simboliza 2012. Cada um dos nossos convidados foi depois fotografado com esse objecto, e escreveu um texto curto onde sustenta a escolha. Até ao final do ano vamos publicar um destes artigos por dia. Hoje é a vez de Hélio Loureiro, chef do Porto Palácio Congress Hotel & Spa.
Uma bússola
Nós que já descobrimos Mundo sem rumo certo, mas com objectivo claro, estamos hoje numa encruzilhada, pois vemo-nos sem rumo e sem objectivo. É tempo de recorrer ao passado e aprender com os erros. Utilizar velhos instrumentos para traçar rotas certas e planos concretos que nos levem a portos seguros.
O Norte é um poiso onde Portugal encontra regularmente a segurança necessária para o seu crescimento e sustentabilidade, e é para lá que o ponteiro da bússola sempre aponta, certeiro e persistente. Saibamos segui-lo, e certamente encontraremos um caminho que nos levará à recuperação de um país reencontrado com a sua História e com o seu Berço, renascendo assim para um projecto nacional, de objectivo claro e rumo certo. A bússola aponta um retorno à Terra, aos valores do Homem português, pelo qual e para o qual se fez Portugal.
A bússola é o objecto que simbolicamente nos poderá ajudar a recuperar o Norte para o próximo ano, num país que perdeu ultimamente o tino, mas cujo Povo nunca perde a esperança a ponto de não saber o caminho...
Hélio Loureiro

Este texto faz parte de um conjunto de artigos em que dez profissionais, de alguma forma ligados ao sector dos eventos, escolhem um objecto que, no seu entender, simboliza 2012. Cada um dos nossos convidados foi depois fotografado com esse objecto, e escreveu um texto curto onde sustenta a escolha. Até ao final do ano vamos publicar um destes artigos por dia. Hoje é a vez de Pedro Cardoso, director-executivo da The House of Events.
A bicicleta
A bicicleta pode bem ser uma metáfora da economia. E a mensagem é simples: não podemos deixar de pedalar.
A bicicleta pode também ser o símbolo de que temos mesmo que mudar o paradigma em que vivemos as últimas décadas, e de que a mudança se tornou uma necessidade absoluta.
A bicicleta lembra-nos a relação entre corpo e espírito, e remete-nos para a ideia de que é vital equilibrar cultura – entendida enquanto educação, património, aprendizagem –, natureza e futuro, três forças determinantes para o que seremos amanhã.
A bicicleta faz-nos pensar em sustentabilidade, em resiliência. Mostra-nos que viver um pouco mais devagar pode fazer todo o sentido, na descoberta de novos caminhos.
Pedro Cardoso


















