Miguel Corais: "Há feiras a mais em Portugal"
25.1.2012

Credibilizar o conceito de feiras de negócios, reivindicar a importância deste sector na promoção da economia, reforçar a ligação com associações congéneres internacionais são alguns dos objectivos da nova direcção da Associação Portuguesa de Feiras e Congressos (APFC), liderada por Miguel Corais. O administrador do Parque de Exposições de Braga, em entrevista à Event Point, analisa o panorama das feiras em Portugal, a necessidade de regulamentação e revela os primeiros detalhes sobre o Congresso da União de Feiras Ibero-Americanas, organizado em parceria pela APFC.

Event Point: Quais são os principais objectivos desta direcção da Associação?

Miguel Corais: Os principais objectivos são: dar maior visibilidade e importância a esta associação na defesa dos interesses do sector; alargar o número de associados, mas desde que organizem feiras e congressos dentro dos parâmetros de qualidade definidos por nós; credibilizar o conceito de feiras de negócios; reforçar a relação com associações e empresas ligadas, a montante ou jusante, às feiras e congressos; reivindicar junto de várias instâncias, públicas e privadas, a importância que temos como instrumento de promoção da economia, das exportações, do turismo e do território português, criando uma visão integrada com toda a fileira do MICE; reforçar a relação com as associações congéneres internacionais, principalmente a AFE (Associação de Feiras Espanhola); por último, organizar com qualidade o Congresso da UNIFIB (União de Feiras Ibero-Americanas) que em 2012 será em Portugal e que será uma grande oportunidade para nos afirmarmos.

EP: Uma associação com tão poucos membros é bem representativa do sector?

MC: Esta associação detém os principais e mais reconhecidos operadores em Portugal do sector de feiras e congressos. Indubitavelmente, se falarmos do sector das feiras, os mais representativos e mais fortes estão integrados nesta associação. Quando falamos de feiras em Portugal, falamos na FIL, na Exponor, no Parque de Exposições de Braga e na Exposalão na Batalha. Estes são os mais significativos e com mais massa crítica. Claro que estamos abertos, e empenhados, a que outros se possam associar, inclusive neste mandato um dos objectivos definidos é o crescimento de associados, nomeadamente operadores que estejam directamente ligados aos congressos, uma vez que ao nível das feiras não haverá muitos mais operadores a associar-se. Contudo, o mercado de feiras e congressos em Portugal será sempre reduzido, comparando com outros países, mas são dois sectores com bastante valor para a nossa economia e que, claramente, são complementares.

EP: Quais os critérios de admissão de novos membros?

MC: Queremos crescer, mas dentro dum processo que dê credibilidade ao sector e crie valor para o mesmo. Entendemos que a APFC deva ser a associação que represente este sector, mas que signifique qualidade. Como tal, estamos a trabalhar na definição de um conjunto de padrões e requisitos mínimos para entrarem, nomeadamente ao nível da infra-estrutura, organização, meios e serviços disponíveis. Queremos definir alguns requisitos, embora simples e sem muita burocracia. O objectivo é representar o sector, mas de modo a que os vários interlocutores percebam que estamos a trabalhar em parâmetros que este tipo de sector exige. O sector de feiras e congressos, pela sua importância, exige muito profissionalismo e qualidade. Embora em Portugal, devido a uma total desregulamentação, haja muitas feiras e congressos sem qualidade, projectando uma imagem negativa para o exterior.

EP: O sector das feiras é normalmente um dos primeiros a sofrer com as crises. Como dar a volta a esta situação?

MC: O sector da feiras está muito ligado ao contexto económico. Quando a economia está a crescer, este sector é uma grande alavanca para as empresas angariarem clientes e quota de mercado. Em Portugal, na fase em que estamos em que o mercado interno está totalmente estagnado e há uma enorme necessidade de internacionalização da nossa economia, quer através das exportações, quer através da captação de IDE (Investimento Directo Estrangeiro), temos que usar as feiras como alavancas dessa estratégia, como fazemos quando a economia está em crescimento. Ou seja, temos de nos associar a todo este processo e desígnio nacional de internacionalização e ambicionar também a internacionalização das nossas feiras. Aí estaríamos a alavancar quatro objectivos estratégicos para Portugal, no actual momento: contribuir para a internacionalização da nossa economia, através do aumento da nossa capacidade exportadora em vários mercados, promover Portugal como destino turístico, racionalizar os recursos e diminuir o nosso défice externo e, por último, mas não menos importante, dinamizar a nossa economia local.

EP: Que medidas poderiam ser adoptadas para alavancar este sector?

MC: O princípio aqui a aplicar é perceber que este sector vale muito mais e cria valor para além das instituições envolvidas. Temos que conseguir que outras entidades, públicas e privadas, definam as feiras e congressos como instrumentos importantes de alavancar os seus objectivos estratégicos. As feiras e congressos em Portugal têm de ser a “ferramenta” para muitos sectores e instituições. Para tal, no que diz respeito às feiras, uma das formas de ganhar uma maior dimensão internacional é aumentar a capacidade de financiamento dos “Programas de Grandes Compradores Internacionais” (Hosted Buyers Programs), permitindo que as nossas feiras possam promover as nossas exportações. Este tema é muito importante e como estamos numa fase em que racionalização de custos é o mote, bastava que, por um lado, déssemos prioridade a este tipo de projectos em detrimento do financiamento na presença de algumas feiras internacionais e, por outro lado, que as várias instituições em Portugal, muitas delas públicas ou financiadas com dinheiros públicos, que acabam por financiar a presença de "Grandes Compradores" e jornalistas de renome em Portugal em diferentes alturas do ano, se articulassem com algumas feiras do sector. Em ambos os casos, cumpriríamos os mesmos objectivos, mas com maior valor e efeito multiplicador para a nossa economia. Não nos podemos esquecer que quando temos os "Grandes Compradores" cá não concorremos com outros mercados, permitimos que estes possam visitar as instalações das nossas empresas, alavancando deste modo a marca “Portugal”. Esta é aposta, pelo menos, devia ser feita nos sectores onde temos grandes interesses internacionais, como por exemplo, no sector dos vinhos, calçado, têxtil e tecnologias.

EP: Proliferam feiras, maiores e mais pequenas, de vários sectores e por todo o país, às vezes com sobreposição de datas. Como vê o panorama das feiras em Portugal?

MC: Penso que há feiras a mais em Portugal, principalmente a vulgarização da denominação de eventos de feiras. Muitas delas são festas e não feiras. Vejo claramente que estamos numa fase de selecção natural e acredito que muitas vão sofrer grandes alterações e surgirão outras novas feiras. Acreditamos que o sector das feiras precisa duma regulamentação e a APFC deve, à semelhança de outros sectores que passaram por este processo, ser  o veículo, conjuntamente com o Governo Central, para regulamentar, credibilizar e qualificar o sector. Também por esta questão, vai ser importante aos operadores do sector associarem-se à APFC. Mais uma vez repito, este é um sector que deve dinamizar a economia, servir os interesses estratégicos do nosso país, introduzindo a componente internacional. Ora, não podemos correr o risco dos estrangeiros nos visitarem, terem expectativa que as nossas feiras e congressos sejam qualificadas, como são em qualquer país europeu, e depois presenciarem algo que deixa muito a desejar em termos de qualidade.

EP: E em termos do organizador de feiras, deveria existir uma certificação das empresas?

MC: Penso que é algo que seria importante e temos de encontrar a oportunidade no tempo para chegarmos a esse patamar. Faz sentido num sector supostamente muito exigente, em que a maioria dos clientes / expositores são empresas altamente profissionalizadas, que qualquer pessoa sem experiência e qualificação possa organizar feiras e em qualquer local? Desta forma valorizamos o sector, criávamos uma maior confiança junto dos potenciais expositores e visitantes, ao mesmo tempo que abríamos novas oportunidades a este tipo de profissionais.

EP: Vão organizar em 2012 o Congresso da União de Feiras Ibero-Americanas. O que é que pode adiantar sobre o evento?

MC: Este evento vai decorrer de 21 a 23 de Junho, no Norte de Portugal, na Exponor, e vamos tentar incluir uma passagem por Braga. Apesar de ser organizado em conjunto com a AFE – Associação de Feiras Espanholas e a AFIDA – Associação Internacional de Feiras da América Latina, para nós será um grande momento que queremos aproveitar para dar mais visibilidade à APFC e permitir sensibilizar para as nossas questões os vários operadores de mercado do turismo e eventos. Será certamente um evento que nos permitirá lançar as nossas questões e assumirmos outra importância em Portugal. O tema será “O Futuro - Cooperação e Novos Desafios”. Queremos que neste evento os portugueses possam aproveitar para lançar projectos de cooperação num mercado emergente e em crescimento como o da América Latina. À semelhança dos interesses do nosso país,  defendemos uma visão articulada e integrada. Para nós o Brasil é de extrema importância, quer pela lusofonia quer pela importância (actual) deste mercado. Por outro lado, a Península Ibérica é um mercado prioritário para nós e a América Latina pode ser um prolongamento deste mesmo mercado em alguns sectores.

Cláudia Coutinho de Sousa

Frederico Costa: 3 milhões para o segmento MI (vídeo)
16.1.2012

Em 2012 o investimento do Turismo de Portugal (TP) para o segmento da meetings industry vai rondar os três milhões de euros. Em entrevista à Event Point, durante o Congresso da EFAPCO, Frederico Costa, presidente do Turismo de Portugal, adianta que as agências regionais vão ser financiadas em cerca de 1,5 milhões de euros, para juntar ao orçamento de promoção deste produto, além do investimento do Turismo de Portugal, que vai ser pelo menos “outro tanto. Isto em termos de acção directa, em termos de disponibilidade, é maior, de acordo com os congressos que se conseguirem cativar”, adianta.

Ou seja, um investimento total que será de cerca de três milhões de euros num segmento que o responsável destaca como “prioritário para Portugal, fundamental para a atenuação da sazonalidade e muito importante para a estabilidade do turismo e da economia”. A actuação do Turismo de Portugal neste sector assenta em alguns pilares, “primeiro criar o pano de fundo, ou seja, isto é um negócio de empresas, para empresas, não é um negócio do Estado. O que o Estado tem que fazer, nomeadamente o Turismo de Portugal, é concentrar-se em promover bem Portugal, a imagem de Portugal enquanto destino turístico, por um lado, e dar as melhores condições possíveis às empresas para poderem ter sucesso na sua actividade e isto quer dizer: feiras internacionais, publicidade internacional, criámos um fundo de captação de congressos, de grandes congressos, grandes reuniões em Portugal, que está activo”.

Resultado desta estratégia, segundo informa Frederico Costa, são os 17 congressos já conquistados para os próximos três anos, com um total de 51 mil participantes. A imagem de Portugal está a ser afectada pela crise, mas a imagem de Portugal enquanto destino turístico nem tanto, acredita o presidente do Turismo de Portugal. 2012 vai ser um ano difícil e exigente, mas não muito diferente dos últimos anos.

 

 

Cláudia Coutinho de Sousa

 

Jorge Ferreira: “Queremos continuar a crescer em 2012”
6.1.2012

A BestEvents vai lançar este ano duas novas feiras em Braga, a Expobeleza e a Imobraga. E não descarta avançar para outras geografias. A facturação da feira que organiza em Espanha é significativa nas contas da empresa, mas a crise no país vizinho é mais complicada de gerir. Fomos conversar com Jorge Ferreira, um dos responsáveis da BestEvents.

Event Point: Num ano como este lançam novas feiras. O que pesou nessa decisão?

Jorge Ferreira: São duas as novas feiras que vamos lançar: a Expobeleza - Cosmética, Estética, Cabelo e Bem-Estar e a Imobraga - Salão do Imobiliário. Por vezes, é em anos como este que surgem as grandes oportunidades. Temos a consciência de que não vai ser fácil com toda esta conjuntura económica, mas não podemos baixar os braços. Temos de trabalhar a dobrar para conseguir resultados. Nos últimos anos temos crescido e queremos continuar a crescer em 2012.

EP: Para já organizam feiras em Braga e Espanha. Estão a pensar em outras geografias?

JF: Estamos. Tanto a norte, como a sul de Braga. Mas, neste momento, as oportunidades estão a aparecer em Braga e temos de as aproveitar.

EP: Há mais feiras a serem preparadas?

JF: Neste momento não estamos a preparar mais nada. Mas temos ideias e projectos para os próximos anos.

EP: Qual o peso da operação em Espanha na vossa facturação?

JF: Representa cerca de 30%.

EP: Como olham para o mercado das feiras em Portugal?

JF: Em termos de conceito, estabilizou. Se calhar, é necessário repensar o modelo de negócio, nomeadamente com a integração das novas tecnologias. Em termos de negócio, obviamente que desceu um pouco, é o reflexo da conjuntura económica. Mas penso que as feiras continuam a ser um dos melhores veículos para a promoção e concretização de negócios para as empresas. A relação custo/beneficio continua a ser melhor, comparativamente com outros meios.

EP: Do conhecimento que têm dos dois mercados, o português e o espanhol, qual deles vive a situação mais complicada?

JF: Pela nossa experiência, Espanha. Para além da crise económica, existe uma crise "psicológica" muito grande. As empresas estão com muito receio e "jogam mais à defesa". Em Portugal, de uma forma ou de outra, já estamos em crise há muito tempo. Os espanhóis não estavam habituados e aconteceu tudo muito repentinamente.

Joel Vicente explica o que são as soluções low cost da LineUp
19.12.2011

A LineUp – Events Factory reforçou recentemente o seu portfólio para eventos com soluções low cost. É a resposta da LineUp para o mercado português que vive tantos constrangimentos económicos, diz Joel Vicente, responsável da empresa, em entrevista à Event Point.

Event Point: Porquê o lançamento destas soluções de eventos low cost?

Joel Vicente: Não pretendendo ser negativo, é evidente que Portugal atravessa um período menos bom. Nesse sentido é imperativo criar conceitos inovadores que ajudem a, inequivocamente, motivar e potenciar a força principal de uma empresa, a sua equipa de trabalho. Estas soluções low cost são a resposta da LineUp ao mercado português. E surgem como mais uma alternativa criativa, com soluções objectivas e preços altamente competitivos, bem como, conceitos inovadores concretizadores de resultados muito interessantes. As soluções para eventos low cost estão inseridas em packs, que incluem uma optimização de custos entre parceiros, fornecedores, espaços, meios, etc. Embora tenham uma estrutura base, cada solução poderá ser adaptada e redefinida consoante as necessidades, objectivos e orçamento de cada cliente. Estas permitem que as empresas possam continuar a realizar acções de motivação e incentivo, dinamizadoras de equipas e colaboradores. Com estas acções low cost a LineUp apresenta uma flexibilidade com vantagens para os clientes, com qualidade evidente, retorno e valor efectivo. A ideia a passar é que para o budget disponível, a LineUp tem uma solução à medida.

EP: É possível manter a qualidade dos eventos com este tipo de soluções?

JV: É claramente possível. Na LineUp procuramos sempre desenvolver acções motivacionais ou de team building, que vão ao encontro de objectivos e necessidades específicas de cada empresa. Em cada caso, e consoante a disponibilidade apresentada pelo cliente (em termos de objectivos, tempo e budget), são apresentadas dinâmicas de onde resultam de forma evidente e lucrativa, forte interactividade, comunicação instintiva e emocional, geradoras de impacto positivo nos colaboradores.

EP: Como é que funcionam? São produtos standart aplicados depois às diversas empresas?

JV: Para cada novo cliente surge um também novo desafio. Por considerarmos que cada entidade que nos contacta é muito mais do que um cliente, temos o dever, delicadeza e cuidado de conseguir apresentar sempre uma solução inovadora. Apenas terá de nos ser indicado uma ideia, conceito, ou briefing, que também poderá ser construído em parceria connosco, bem como o budget disponível, e nós garantimos a melhor e mais adequada solução. Mais direccionado à época do ano que atravessamos, a LineUp tem no seu portfolio “Packs de Natal”, que no fundo são iniciativas low cost, desenvolvidas por via da optimização e selecção de serviços, devidamente integrados com a colaboração dos nossos parceiros e fornecedores. Embora exista uma estrutura já pré-definida, cada nova proposta poderá e deverá ser transformada e refinada consoante novos objectivos e orçamento apresentados.

EP: Quais são os clientes-alvo?

JV: A resposta é muito clara. Todas as empresas ou entidades que tenham objectivos claros e pretendam desenvolver acções motivacionais ou de team building, geradoras de riqueza e aumento de motivação para as suas equipas de trabalho. De PME a grandes organizações, o importante é que exista um compromisso evidente para com as equipas e colaboradores. A LineUp garante o resto, o desenvolvimento de uma nova e criativa solução, superadora de expectativas e com sucesso garantido.

EP: Que feedback têm tido destas soluções?

De momento o mercado está bastante receptivo a este tipo de soluções. Os tempos estão difíceis e sempre que é apresentado um produto/serviço competitivo e gerador de sucesso, dirigido na íntegra às necessidades e objectivos de um cliente, é sempre bem aceite por parte das empresas. O facto de estarmos no Natal e perto do fim de mais um ano, também ajuda. Estas são temáticas vencedoras e geradoras de negócio neste sector de actividade.

EP: Que mais-valia traz para a LineUp a introdução deste novo modelo?

JV: É um conceito que acredito ser vencedor, uma vez que apresenta um formato de sucesso comprovado, baseado em experiência adquirida, inovação e a criatividade necessária para a obtenção dos objectivos desejados pelos clientes. A mais valia para a Line UP é o factor diferenciação, e o pioneirismo neste tipo de soluções neste sector específico. O facto de possibilitarmos que as empresas que trabalham connosco consigam continuar a realizar acções de motivação e incentivo, dinamizadoras de equipas e colaboradores, com qualidade evidente, retorno e valor efectivo.

A Rock Street vai ser a grande novidade do Rock in Rio 2012 (vídeo)
13.12.2011

À semelhança do que aconteceu no Rio de Janeiro, a Cidade do Rock de Lisboa vai receber a Rock Street. É uma rua onde se recria o espírito de Nova Orleães, e onde a música que impera é o jazz e os blues. Nuno Sousa Pinto, director de Produção do Rock in Rio não tem dúvidas, a Rock Street vai ser “a coqueluche do evento”.



O responsável, em entrevista à Event Point, explica como a experiência do Rock in Rio em Portugal, e mais tarde em Espanha, ajudou o projecto a ser mais global. “Tornou-se um evento de entretenimento que não era só para os jovens, que gostam de música, mas para toda a família”.



Nuno Sousa Pinto fala ainda das mais-valias do Rock in Rio para os patrocinadores uma vez que é um “projecto de comunicação” que tem a capacidade de chegar a um espectro de pessoas muito alargado.



O slogan “por um mundo melhor” faz cada vez mais sentido e é importante lutar por isso,num sentido amplo, em termos ambientais, sociais, financeiros, diz o director de produção.



A segurança foi uma das questões abordadas nesta entrevista. O responsável salienta a importância dada pela organização a área.


Rui Luís Romão
Cláudia Coutinho de Sousa

Ana Barbosa: APECATE é uma associação com um projecto sólido
11.11.2011

Com a saída de João Sacchetti do cargo de presidente da APECATE, que ocupava desde a fundação, iniciou-se o processo para escolher novo líder. Fomos conversar com Ana Barbosa, presidente da secção de Animação Turística, e vice-presidente da APECATE, para perceber quais os próximos passos na vida da associação.

Event Point: Como será feita a eleição do novo presidente da APECATE?, ?

Ana Barbosa: A APECATE, para além dos órgãos sociais comuns a todas as outras associações, tem um outro: as Secções Especializadas que, à data, são três. Estas secções estão obrigatoriamente representadas na direcção ao nível da presidência que é constituída por um presidente e dois vice-presidentes. O João Sacchetti era presidente da Direcção e da Secção de Eventos. Assim, de acordo com os Estatutos, o primeiro passo a dar será a eleição do presidente da Secção. Trata-se de uma eleição extraordinária, destinada ao preenchimento de uma vaga até ao fim do mandato deste triénio.

EP: Este processo vai implicar uma mudança nos estatutos?

AB: Não necessariamente. Este processo revelou algumas fragilidades estatutárias que podem, em situações similares, criar problemas formais. Por isso estamos a ponderar uma alteração que poderá ou não ser feita a curto prazo.

EP: Até novas eleições, quem ocupa o cargo em aberto, ou como são tomadas as decisões?

AB: A Direcção tem quorum para funcionar. Sempre conseguimos tomar todas as decisões por consenso e vamos, seguramente, continuar a fazê-lo.

EP: Teme que estes desenvolvimentos prejudiquem o trabalho da Associação, e o que já foi conquistado até aqui?

AB: De todo. A APECATE é uma associação com um projecto sólido, dirigido por uma equipa coesa e assim vai continuar. O João Sacchetti vai fazer-nos muita falta, mas todos fomos solidários na compreensão das razões que o levaram a demitir-se e que, como é público, nada têm a ver com a associação.

EP: Se tivesse que destacar um aspecto, aquele que no seu entender foi o mais positivo, no percurso do João Sacchetti enquanto presidente da APECATE, qual seria?

AB: É impossível destacar um aspecto. O João foi uma pessoa fundamental no processo de criação da APECATE e na sua direcção ao longo destes anos. Todos beneficiámos da sua disponibilidade militante, da sua entrega à causa do associativismo empresarial, da sua inteligência das situações, da sua espantosa capacidade de comunicar, da forma digna como sempre nos representou. Não foi por acaso que o elegemos como Presidente desde a fundação da APECATE em 2007.

EP: Temos a informação de que, para além da João Lagos Sports, teria havido outras empresas a saírem da Associação. O que é que nos pode adiantar sobre o assunto?

AB: Posso avançar a informação oficial e confirmada: pediram a demissão cinco empresas da secção de Eventos. Mas estas demissões nada têm a ver com a demissão da João Lagos Sports. São processos completamente distintos. E a vida das associações é assim mesmo: uns saem, outros entram, cada qual com as suas razões e, por vezes, neste processo de saídas e entradas criam-se interessantes dinâmicas de renovação.

 

Rui Luís Romão
Cláudia Coutinho de Sousa

Tenho uma atracção pelo risco
8.11.2011

A grande entrevista desta edição da Event Point é com João Lagos. A conversa, que durou mais de duas horas, percorreu as várias fases da carreira deste organizador de eventos, figura incontornável quando se fala em eventos desportivos. O cancelamento do Dakar virou-lhe a vida do avesso, mas apesar das dificuldades que a empresa atravessa, João Lagos recusa baixar os braços e trabalha já no próximo grande : a Volvo Ocean Race. Veja excertos da entrevista que pode ler na íntegra na Event Point, já nas bancas.

Tudo começou em 1974 com uma raquete e um balde de bolas e com o ínicio de uma escola de ténis que tinha o objectivo de ensinar a modalidade de uma forma mais aberta e abrangente do que era feito até essa altura.

O primeiro grande evento foi a vinda de Björn Borg a Portugal para dois dias de exibição em Portugal. Foi a primeira vez que o ténis teve honras de televisão prime-time.

O primeiro Estoril Open podia ter nascido e morrido logo nessa altura. O perigo de chuva era brutal. Um detalhe salvou o evento.

A paixão pelo ténis e por organizar eventos é a motivação para continuar.

 

 

 

Cláudia Coutinho de Sousa
Rui Luís Romão

IMEX América: entrevista a Ray Bloom
16.9.2011

Quando abrir as portas a 11 de Outubro, a IMEX América torna-se o maior evento do ano nos Estados Unidos no que respeita ao programa de hosted buyers. Portugal vai participar nesta primeira edição do evento com um dos maiores stands do contingente europeu, assegura a organização. E o Centro de Congressos do Estoril vai ter um papel muito importante em relação às questões de sustentabilidade. Fomos entrevistar o rosto do evento, Ray Bloom.

O que é que podemos esperar da primeira edição da IMEX América?

Primeiro, posso já confirmar que a IMEX América será a maior feira para o sector dos eventos e da meetings industry nos Estados Unidos. Vamos receber mais de dois mil hosted buyers e mais de dois mil expositores de todo o mundo. Esperamos ainda a visita de milhares de organizadores de eventos.

E o que é que a IMEX América lhes vai oferecer em termos de programa?

Há cinco aspectos que fazem da IMEX América uma feira excitante, sobretudo nesta edição de estreia. Um aspecto é o volume de negócios que, através de instrumentos que criámos, como o Online Appointment (agenda de reuniões online) e o Diary System (agenda do dia) espera-se que gere (como foi provado na IMEX Frankfurt, onde o volume de negócios aumentou 12% comparado com 2010) . Para além disso vai haver uma série de oportunidades de networking durante toda a semana, graças à existência, na mesma altura, de outros 14 eventos-chave da indústria e de centenas de eventos paralelos dos próprios expositores. Terceiro é o facto de todas as sessões educacionais da IMEX e do MPI – mais de 80 – (MPI [Meetings Professionals International]é o nosso parceiro estratégico em termos formativos) é absolutamente gratuita. Não há também lugar a qualquer pagamento para visitar a feira, algo que é extremamente raro nos Estados Unidos. E, finalmente, a IMEX América realiza-se na Sands Expo, em Las Vegas, uma cidade com uma excelente reputação de receber feiras, convenções e eventos de larga escala, para além de um entretenimento e oportunidades sociais sem paralelo.

Num período particularmente difícil em termos económicos, é mais difícil organizar um evento desta dimensão?

Quer se lance um evento em tempos prósperos ou em mais difíceis, aplicam-se as mesmas regras. Temos que entregar valor e uma proposta forte desenhada para responder às oportunidades do mercado. Obviamente que em termos mas desafiantes em termos económicos, os orçamentos são mais apertados, mas o facto de termos mais de dois mil expositores mostra o quanto os fornecedores querem assegurar novos negócios e vêem na IMEX América uma oportunidade para fazer isso mesmo.

Quais são os temas mais fortes em termos do programa educacional?

O principal pilar do programa educacional da IMEX América vai ser a contribuição do MPI. Começa com a Smart Monday (10 de Outubro) com o MeetDifferent Day of Education and Innovation. Estas sessões são gratuitas, garantem crédtitos CEU (Continuing Education Units) e estão abertas a todos os compradores e fornecedores. Todo o programa educacional é relevante para todos os profissionais desta indústria da América do Norte, e não só, e promete dar informação importante e benéfica para usar durante o certame e depois no regresso ao escritório. Os temas mais importantes incluem a liderança, inovação, tecnologia, negociação, melhores práticas ambientais e de responsabilidade social, e também marketing e redes sociais. Mas há outros tópicos: gestão de risco, tendências de compra, tendências de organização e operação, legislação. Tudo isto pode ser consultado no nosso site.

Em termos de sustentabilidade, há alguma iniciativa a reter?

Estamos a trabalhar com o nosso parceiro MeetGreen, para aproveitar a primeira IMEX América para introduzir benchmarks para performances ambientais para os próximos anos. Vamos ter várias acções verdes e de responsabilidade social no certame. Estas acções incluem um Centro de Sustentabilidade, mesmo no espaço da feira, onde os visitantes podem conhecer melhores práticas ambientais e recolher dicas e informação com os especialistas. Estamos ainda a prestar apoio a duas instituições de caridade locais através do Badge Back Programme, patrocinado pelo Estoril. Por cada badge de visitante recolhido, a IMEX e o Estoril fazem um donativo a uma dessas instituições de caridade e que são: Opportunity Village e Shade Tree, ambas em Las Vegas. Estamos ainda a trabalhar com o “Clean The World” na recolha de sabonetes e outros produtos de limpeza enxertados de seis hotéis de Las Vegas usados pelos participantes da IMEX, incluindo do nosso quartel-general, o Venetian/Palazzo. A “Clean The World” vai reciclar estes produtos e enviá-los para comunidades necessitadas em todo o mundo.

Em termos do gerar negócio, quais são os planos para a feira?

Vamos manter o modelo de negócio da IMEX que já tem provas dadas. Isso significa ter um programa de hosted buyers cuidadosamente planeado e suportado por intermediários e parceiros de confiança, que nos ajudam a seleccionar os compradores. Algumas tecnologias introduzidas também vão potenciar as oportunidades de negócio, como o sistema de reuniões, de sms, do programa “contactar o comprador” e os seminários online para dar formação aos expositores. Este combinação forte assegura que todos compreendam como maximizar as reuniões e os contactos (com os expositores ou compradores certos) e, por consequência, maximizar os negócios e ter o retorno do tempo e do investimento.

E sobre o contingente português, o que nos pode adiantar?

Portugal vai ser um dos expositores significativos e importantes na secção europeia da IMEX América, juntamente com 25 outros destinos europeus, e fornecedores como empresas de cruzeiros, hotéis, empresas de tecnologia.

O que é que vai fazer da IMEX América um sucesso?

É muito simples. Precisamos de dar aos expositores e compradores uma feira com oportunidades de negócio. E ainda oferecer programas educacionais gratuitos que dão aos profissionais um enriquecimento sem paralelo. Tudo o que estamos a pôr em marcha na IMEX América é baseado em 10 anos de experiência em tornar a IMEX Frankfurt um sucesso, e também ouvindo parceiros-chave nos Estados Unidos que ajudaram a desenhar o conteúdo de uma feira especificamente voltada para o público americano, que está esfomeado por novas ideias.

Cláudia Coutinho de Sousa
 

Paul Kennedy: Portugal não é um destino espectacular (vídeo)
11.8.2011

“É eficiente, é fácil cá chegar, mas não é espectacular”. É assim que Paul Kennedy, uma das principais figuras do sector da meetings industry, vê o destino Portugal. O consultor, ex-director da EIBTM, lamenta que Portugal não se destaque em relação a outros destinos porque tem todas as condições para o poder fazer. E como é que isso pode ser alterado? No entender do especialista, os fornecedores portugueses têm que perceber que “o mundo dos eventos não é turismo”. E dá o exemplo do stand do turismo de Portugal nas feiras internacionais para ilustrar esta afirmação, “quando se vê o stand de Portugal dá a ideia de um destino turístico, em vez de um destino de negócios. E eventos tem que ver com soluções de negócios. Acho que os dias de 100 empresas partilharem o stand de Portugal têm de ser pensados de forma diferente”.

Paul Kennedy esteve em Portugal a convite da ExpoEventos. Actualmente é consultor de destinos como a Eslovénia, Emirados Arábes Unidos e Sicília.

 

Cláudia Coutinho de Sousa
Rui Luís Romão

Benfica aposta nos eventos
3.8.2011

O Benfica lançou-se, definitivamente, no mercado dos eventos. Apesar de receber eventos há vários anos, e depois de um trabalho prévio de estudo do sector, a instituição decidiu apostar forte nesta vertente e até já lançou uma brochura dedicada à divulgação dos espaços para eventos e que pode ser consultada no site do clube. Fomos conversar com Bruno Sá, da Benfica Eventos, para perceber as potencialidades dos espaços e os objectivos do clube nesta área de negócio.

Que espaços tem o Estádio da Luz disponíveis para eventos?

A Benfica Eventos tem várias salas para reuniões e seminários, um auditório com capacidade para 100 pessoas, que é a nossa sala de conferências de imprensa, salas para jantares e outro eventos com capacidade até 600 pessoas. Estamos a falar de espaços com visibilidade para o relvado. Para além dos espaços interiores, temos os pavilhões, um com capacidade para 1500 pessoas sentadas, outro para 2500; o Caixa Futebol Campus, no Seixal, que tem capacidade para muitos eventos. De referir ainda a Praça Centenário, que permite fazer feiras, concertos, de tudo um pouco. Temos um relvado sintético que permite realizar várias iniciativas. Espaços não nos faltam, até o parque de estacionamento já alugámos.


Foto: Fabrice Ziegler
 

Tudo isso condicionado pela época desportiva?

Sim, o nosso core business, que é o futebol, está em primeiro lugar, como é óbvio, mas é gerível. Temos cerca de 30 eventos desportivos, de futebol profissional no estádio, nos restantes dias há muitas oportunidades para entrarmos neste mercado.

Qual tem sido a reacção?

Temos tido muita procura.

Em termos de fornecedores? Há exclusividade?

No interior do estádio a única exclusividade que existe é ao nível do catering. Em relação a tudo o resto não há restrições. Temos obviamente os nossos fornecedores/parceiros. Estudámos o mercado e percebemos que os promotores dos eventos preferem quase sempre trazer os seus fornecedores habituais. Fora do estádio, nos pavilhões, na Praça Centenário, etc., não há qualquer exclusividade, incluindo o catering.

Qual é a grande mais-valia de organizar um evento num estádio?

Acima de tudo é um local único para convidar pessoas a assistirem a um lançamento de um produto, um evento, no palco onde as maiores estrelas de Portugal jogam, onde foi a final do Euro 2004, onde se realizaram as New 7 Wonders. Temos tido um feedback muito positivo de todas as empresas que têm organizado aqui eventos, quer a nível da organização, quer do impacto.

Fez referência ao espaço mais nobre de todo o estádio, o relvado. Que condicionantes e que possibilidades existem no uso desse espaço?

Procuramos sempre cuidar do nosso core-business, como é óbvio. Depende do projecto, do evento a realizar. Nos meses em que não há actividade desportiva, pretendemos realizar eventos no relvado, mas não é uma coisa que vá ser aberta a todo o tipo de propostas. Serão sempre estudadas.

Qual o peso que o Benfica quer para a área de eventos?

Temos um objectivo traçado, mas neste momento, neste ano 0, queremos estudar o mercado. Obviamente temos objectivos financeiros, mas que não posso divulgar.

Podemos falar de uma equipa exclusivamente dedicada à área dos eventos?

Hoje em dia já fazemos os maiores eventos desportivos em Portugal. Temos a experiência. São várias as pessoas na equipa, mas também depende de cada evento.

Não receiam que neste ano de entrada no mercado haja um contexto tão desfavorável em termos económicos que dificulte a tarefa?

Temos tido cada vez mais procura. O que tem acontecido nos últimos anos é o passa-a-palavra. As empresas do Corporate Club, cerca de 150, também procuram os nossos espaços para eventos. E temos tido uma grande receptividade no mercado. Olhámos para o nosso universo e esta é uma área em que faz sentido estarmos presentes porque as infraestruturas estão cá, os custos fixos existem, de modo que rentabilizando, só nos traz valor.

 

Cláudia Coutinho de Sousa

Inquérito:
Internacionalização é um caminho para a sua empresa?
Passatempos
Revista Impressa