Todos os que trabalham no mundo do Turismo experimentaram o gosto de visitar e trabalhar em feiras da especialidade. Algumas foram importantes balcões de vendas, outras porque a imagem da empresa ou da instituição assim o obrigava, outras ainda porque era obrigatório lá estar para marcar a presença tribal do universo do lazer. Nem todas as feiras foram agradáveis, nem todas foram comercialmente produtivas e nem todas deram os frutos que à partida prometiam.
Nos antigos anos 80, do século XX, as feiras de turismo começaram a impor-se como paradigma essencial à multiplicação de contactos com parceiros de negócios e com a possibilidade de chegar massivamente a grandes públicos. O mundo das feiras de turismo cresceu como um negócio em si mesmo, alimentando-se dos seus expositores que constantemente eram aliciados com promessas de mais e melhor e com estatísticas de crescimentos permanentes ao nível de visitantes, vendas conseguidas e negócios estabelecidas. Os organizadores dos certames sobrevalorizaram de tal forma as feiras que atingiram um poder quase absoluto, obrigando instituições e empresas a um contínuo esforço financeiro com resultados continuamente decrescentes.
O aparecimento de novos meios de comunicação entre profissionais de turismo e parceiros de negócio, bem como a implantação de meios automáticos e publicitários de larga escala para clientes finais, baseados em tecnologias e conteúdos nas plataformas de internet, trouxeram novos tempos ao negócio das feiras de turismo.
Coloca-se então a questão se continuam a ser necessárias as feiras de turismo. Parece-nos obviamente que sim, mas com alterações profundas no seu figurino. Deverão tornar-se motivos e plataformas para encontros com potenciais compradores através de agendamentos combinados com operadores convidados; deverão privilegiar as promoções das grandes marcas; deverão criar espaços de encontros informais permanentes com forte aposta nos conhecimentos profissionais; deverão ser ponto obrigatório de reunião com o máximo de parceiros no menor período de tempo; deverão promover o destino onde se realizam; deverão servir acima de tudo para potenciar e privilegiar as relações humanas, tanto ao nível do negócio como da amizade e da confiança pessoal, factores essenciais à felicidade e boa relação nas áreas profissionais.
Por mais conteúdos que se disponibilizem nas plataformas virtuais, por maiores que sejam as campanhas publicitárias na web e nas redes sociais, por mais aplicações que existam para plataformas móveis ou por mais evoluídos que sejam os motores de reservas, nunca haverá poder maior do que uma reunião “olhos nos olhos”, um aperto de mão e um sorriso. E isto só conseguiremos enquanto tivermos encontros pessoais. As feiras de turismo são os locais certos para esta magia acontecer.
Por José Pedro Calheiros, director da SAL - Sistemas de Ar Livre


















