Chama-se Daniel Ribeiro e tem um curriculum impressionante. Com formação em Ciências de Gestão e Desporto, na St. John's University, iniciou o percurso profissional como Gestor de Eventos na Champions World, em Nova Iorque. Com o Euro 2004, em Portugal, muda-se para a Europa e assume o desafio de ser Coordenador do Venue do evento. Depois do Euro, inicia funções na UEFA, onde se mantém até à data. Actualmente, é o Líder de Projecto da Final da Champions League 2011-2012, que vai decorrer em Munique, no Allianz Arena.
Daniel Ribeiro esteve em Portugal, a propósito do FootballTalks, um evento promovido pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional, partilhou a experiência de organizar estes mega-eventos desportivos. A primeira ideia é a de que é impossível organizar com 100% de sucesso um evento como a Champions League, porque “quem perde os jogos fica sempre insatisfeito e tem sempre críticas a fazer”. Provavelmente a principal preocupação num evento destes é a segurança de todos os participantes. “A experiência no evento tem que ser agradável”, diz Daniel Ribeiro, para os adeptos por um lado, pelo que é dada muita atenção a aspectos como a gestão de multidões ou a sinalética; para os jogadores, que devem estar simplesmente preocupados em jogar ao mais alto nível; e para todos os outros stakeholders: media, patrocinadores, voluntários, habitantes da cidade anfitriã.
Os métodos, a organização e o grau de dificuldade variam de cidade para cidade. A estrutura de coordenação do projecto é constituída pelo comité local, a agência de marketing da UEFA, e o responsável da UEFA. Esta estrutura é definida com três ou quatro anos de antecedência em relação a cada evento. Há várias áreas a ter em conta. A desportiva, “que é fundamental”, e que cobre a condução do jogo, a cerimónia de abertura, a cerimónia de entrega do troféu, a acreditação e o serviço aos espectadores. Depois há a área de operações no estádio, responsável pelas condições do espaço, a mobilidade dos fãs, os serviços médicos, o parque de estacionamento. Estabelece também os pontos de contacto com as autoridades locais. Segue-se a área comercial com obrigações ao nível da Champions Village (tenda com cerca de 5 mil convidados), merchandising, catering VIP, e o catering do staff. A área dos media é fundamental - sobretudo quando se fala de um evento com uma audiência televisiva superior a 100 milhões de telespectadores -, pelo que responde pelas infra-estruturas alocadas aos meios de comunicação, procurando dar-lhes as melhores condições possíveis para a realização do seu trabalho.
O departamento de Event Services cobre matérias como o protocolo, armazenamento e transporte, alojamento, catering, voluntariado. Já o departamento de Promoção é responsável pelo Festival Champions League, um evento que tem um investimento de 2,5 milhões de euros, e por todos os outros eventos paralelos, como por exemplo o Jogo das Estrelas, a entrega do troféu à cidade, etc.
Ao todos estamos a falar de 8 mil pessoas acreditadas para o evento, entre voluntários, staff e comunicação social. E só 15 a 20 estádios têm a capacidade de recebê-lo.
Para Daniel Ribeiro os factores críticos de sucesso do evento são: a comunicação, a correcta acepção e gestão do risco (condições meteorológicas, limitações do venue e cidade, gestão de multidões e ameaças), recursos humanos, ouvir os stakeholders (no final há inquéritos detalhados) e o apoio da cidade anfitriã à organização do evento.
O FootballTalks realizou-se de 16 a 18 de Novembro, no Cascais Mirage, promovido pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional. O OPC do evento foi a Leading. Na próxima edição da Event Point vamos publicar uma entrevista a Daniel Ribeiro.
Cláudia Coutinho de Sousa


















