Há sempre uma certa tentação de confiarmos nas primeira impressões. Talvez seja preciso resistir a isso em relação ao Cairo. A primeira imagem que se tem da cidade é mais ou menos a seguinte: o caos total. Trânsito, buzinas, agitação, barulho, poluição. Há que conseguir ver para além disto para se apreciar o Cairo.
A praça Tahir, onde fica situado o Museu do Cairo, foi o cenário dos protestos que puseram um fim ao regime de Hosni Mubarak, dono do poder durante 30 anos. Foram momentos de muita agitação que tiveram grande impacto no turismo de lazer e de negócios na cidade. Por exemplo a Conferência Anual do FMI, marcada para a capital egípcia, mudou-se para o Japão. O Egipto tenta agora afastar a percepção de insegurança que ainda está na mente de muitos. Para isso desenvolveu uma nova campanha, apresentada no World Travel Market, intitulada “We're Egypt” com a seguinte mensagem: “somos amigáveis, temos a mente aberta, somos orgulhosos do nosso país, somos o Egipto, esperamos vê-los no Egipto”. O ministro do Turismo Fakhry Abdel Nour enfatizou, na mesma ocasião, o clima de estabilidade e de segurança que já se vive no país.
O investimento em campanhas publicitárias, em visitas de reconhecimento do destino, incentivos para os voos charter para destinos no Egipto, são medidas do Turismo que cobrem várias frentes no sentido de melhorar a reputação de um país em que 10% da população trabalha do sector do turismo.

O tesouro de Tutankamon, as pirâmides
As empresas de turismo do Cairo não terão qualquer problema em desenvolver programas de apoio aos eventos. O único problema pode ser escolher. Há tanto para visitar.
O Museu Egípcio é um pouco o espelho da cidade. Relíquias de milhares de anos parecem quase ao abandono, em armários antigos, atafulhadas umas nas outras. E no labirinto confuso de corredores, salas, períodos históricos, com a informação a escassear, é possível passar ao lado de peças absolutamente únicas. A múmia de Ramsés II e o tesouros de TutanKamon são dois dos ex-libris deste museu, verdadeiramente imperdível. Também as Pirâmides de Gizé são imperdíveis, não fossem uma das antigas sete maravilhas do mundo, muito embora estejam completamente absorvidas por uma frenética exploração turística. Centenas de autocarros fazem adivinhar as multidões que convivem com aquele espaço, já muito ameaçado pela poluição de uma cidade de oito milhões. Os vendedores são a verdadeira praga do Egipto nestas paragens.
Numa cidade de tantos milhões até os cemitérios servem de casa. É a cidade dos mortos, que Sérgio Tréfaut tão bem retrata no documentário com o mesmo nome. Um milhão de pessoas vive entre sepulturas, em mausoléus, respeitando o silêncio dos mortos, mas vivendo o dia-a-dia como se eles lá não estivessem. Não faltam mesquitas, escolas, lojas ou esquadras, miúdos a jogar à bola, ou cães a ladrar. Uma imagem impressionante do Cairo mais pobre.
Ainda no Cairo Islâmico, o mercado de Khan el Khalili é o principal da cidade. Um espaço enorme pontuado por ruelas estreitas e milhares de lojas dos mais variados produtos, desde especiarias, jóias, passando por roupa, artesanato ou peles. Uma incursão às várias mesquitas - a maior de África fica no Cairo -, é também uma experiência.
No Cairo predomina a religião muçulmana, mas existe uma minoria cristã, os Coptas. A convivência não tem sido excessivamente problemática. Visitar esta versão do Cairo, o Cairo Cóptico, deve estar no topo da lista de prioridades.

Reuniões e eventos
O Cairo International Conference Center é um dos principais venues para realizar eventos. São 60 mil metros quadrados dedicados ao acolhimento de conferências, equipados com as mais recentes tecnologias. A cinco minutos a pé fica a Feira Internacional. Ambos as estruturas estão servidas por vários hotéis de cinco estrelas e a apenas dez minutos do Aeroporto. Os hotéis locais estão preparados para receber o segmento, com várias salas de reuniões e eventos. A Universidade Americana possui também um grande auditório.
O Aeroporto situa-se a pouco mais de 20 quilómetros da cidade (mas no Cairo 20 quilómetros equivale a horas no trânsito) e é o segundo maior de África. Mais de 65 companhias usam esta infraestrutura que recebe anualmente mais de 16 milhões de passageiros.
Cláudia Coutinho de Sousa


















